quarta-feira, 20 de junho de 2012

Solidão a Dois

  Saímos para mais um passeio qualquer. Somente para não cair na rotina. No começo qualquer que seja a história podemos considerar como contos de fadas. Depois de muitos anos de namoro, dois meses de casados passam a ser mais uma luta dentre várias outras batalhas que encontraremos pela frente.
  A convivência caro amigo, não é tão fácil quanto pensa ser. Hoje, posso dizer que é preciso respeitar além de tudo a solidão do outro. E é o que a todo momento tento fazer.
  Assim que chegamos em casa fomos direto para o quarto, sei que ainda conseguia surpreende-lo mesmo que de olhos fechados ele já conhecesse cada parte do meu corpo.Não me preocupo com isso, não me incomoda, quero mesmo é aproveitar enquanto somos jovens e temos animo.
  Então comecei a beijá-lo, convidando-o para despir-me, acariciava seu corpo sussurrando em seus ouvidos aquela canção que marcou nossos anos de namoro. Penso que em primeiros meses de casado não se deve dormir antes do ato. Mas nesse dia aconteceu tudo muito rápido, como se fosse mais algum tipo de obrigação que deveria ser cumprida, como se naquele mesmo dia ele já tivesse possuído outra mulher e agora o que mais desejava era poder descansar.
  Na manhã seguinte acordei com alguém me fazendo cócegas e se desculpando pelo fato da noite anterior, então pude ser bem recompensada até o último segundo do gozo. Sinceramente, não me importa se esteve com outra mulher ou não, ele sempre volta para meus braços quando percebe que ninguém mais respeita sua solidão.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Inerte ao tempo?

Escutava duas árvores conversando.
Uma dizia assim que não conseguia mais esperar pela chegada da próxima  primavera,
para que ficasse com belos frutos e assim atrair os animais para que não
se sentisse inútil ou solitária.
Me sentia como ela à espera do verão, para que aquecesse o que o rigoroso
velho inverno congelou em mim.
Os dias eram frios mesmo sendo outono. As árvores perdiam suas folhas, passei
a tarde no bosque a procura daquelas árvores que conversavam.
Gosto de imaginar que tudo que têm forma,cor, nome, existe, têm vida.
Não existe seres inanimados pra mim.
Procurei, mas não encontrei aquelas árvores, talvez tivesse passado despercebido
por elas afinal agora sem folhas todas me parecem ser iguais.
O frio continuava em mim, então fui para casa ao chegar escuto vindo da lareira
uma espécie de choro, um choro sofrido de alguém que se lamentava pois quando a próxima
primavera chegasse tudo o que restaria são cinzas.